Tem coisas nesta vida que achamos que não seremos capazes de presenciar, de tão absurdas que parecem. Mas mesmo assim, mais cedo ou mais tarde, elas acabam ocorrendo. Assim, como foi comigo há pouco tempo.
Conheci uma pessoa, a quem chamei e considerei amiga. E desta forma, depositei meu carinho, confiança, além de momentos alegres e tristes. Do pouco tempo que nos conhecíamos, parecia suficiente para saber que se tratava realmente de uma amizade.
Porém, as coisas tomaram rumos errados. Ou talvez, os rumos que realmente deveriam. Aos poucos, vi esta pessoa se afastar. De pouquinho em pouquinho, fui sentindo falta das conversas, dos abraços e desabafos. Até aprender a me contentar com os simples “oi” que me eram dirigidos.
Em nenhum momento tentei mudar esta situação. Estava em um ponto sem estratégia, sem defesa, apenas de observadora. E talvez, enquanto algumas pessoas acreditassem que eu era a grande articuladora de alguns acontecimentos, não percebesse que eu estava apenas como coadjuvante.
Não fiz o que deveria ter feito. Não defendi minha honestidade, integridade e índole. Simplesmente criaram uma imagem, sem ter a hombridade de dar-me a oportunidade de defesa. Ou de ao menos saber exatamente porque eu havia sido transformada em alguém, quem ao menos eu imaginava ser.
Queria ter tido o direito de escutar as acusações, as explicações. Por tudo que ocorreu, acredito que merecia um espaço, um respeito, uma absolvição. E como acredito que não terei jamais um pedido de desculpas, fico onde estou e da mesma maneira: no meu lugar e na minha vida.
E desta forma, acredito que um dia as pessoas serão capazes de respeitar umas as outras. De não agir somente por seus achismos ou similares. De passar por cima de coisas, acontecimentos e fatos relevantes, para simplesmente transformar tudo em uma lembrança triste, pela forma que terminou.
Lamento sim. Lamento pelos enganos. Pelo sofrimento que me causaram. Pelas coisas e olhares que fui obrigada a ver, sem ao menos saber porque era merecedora daquilo. Ao contrário do que possa parecer, tenho sentimentos. E isso, virá para sempre comigo.
Decidi mudar de casa, de ambiente e convivências. Talvez, algumas presenças, tenham colaborado para os rumos desordenados que as coisas tomaram. Porém, não será eu quem fará a diferença desta vez. Vou deixar o tempo ser o grande mestre nesta lição. Vou deixar ele ensinar e agir, como tem de ser.
E se as pessoas acreditam mesmo que as histórias terminam nas curvas que a vida nos obriga a fazer, é porque nunca aprenderam que só acaba quando tudo volta ao lugar de onde jamais deveria ter saído.