Uma amizade

Tem coisas nesta vida que achamos que não seremos capazes de presenciar, de tão absurdas que parecem. Mas mesmo assim, mais cedo ou mais tarde, elas acabam ocorrendo. Assim, como foi comigo há pouco tempo.

 

 

Conheci uma pessoa, a quem chamei e considerei amiga. E desta forma, depositei meu carinho, confiança, além de momentos alegres e tristes. Do pouco tempo que nos conhecíamos, parecia suficiente para saber que se tratava realmente de uma amizade.

 

 

Porém, as coisas tomaram rumos errados. Ou talvez, os rumos que realmente deveriam. Aos poucos, vi esta pessoa se afastar. De pouquinho em pouquinho, fui sentindo falta das conversas, dos abraços e desabafos. Até aprender a me contentar com os simples “oi” que me eram dirigidos.

 

 

Em nenhum momento tentei mudar esta situação. Estava em um ponto sem estratégia, sem defesa, apenas de observadora. E talvez, enquanto algumas pessoas acreditassem que eu era a grande articuladora de alguns acontecimentos, não percebesse que eu estava apenas como coadjuvante.

 

 

Não fiz o que deveria ter feito. Não defendi minha honestidade, integridade e índole. Simplesmente criaram uma imagem, sem ter a hombridade de dar-me a oportunidade de defesa. Ou de ao menos saber exatamente porque eu havia sido transformada em alguém, quem ao menos eu imaginava ser.

 

 

Queria ter tido o direito de escutar as acusações, as explicações. Por tudo que ocorreu, acredito que merecia um espaço, um respeito, uma absolvição. E como acredito que não terei jamais um pedido de desculpas, fico onde estou e da mesma maneira: no meu lugar e na minha vida.

 

 

E desta forma, acredito que um dia as pessoas serão capazes de respeitar umas as outras. De não agir somente por seus achismos ou similares. De passar por cima de coisas, acontecimentos e fatos relevantes, para simplesmente transformar tudo em uma lembrança triste, pela forma que terminou.

 

 

Lamento sim. Lamento pelos enganos. Pelo sofrimento que me causaram. Pelas coisas e olhares que fui obrigada a ver, sem ao menos saber porque era merecedora daquilo. Ao contrário do que possa parecer, tenho sentimentos. E isso, virá para sempre comigo.

 

 

Decidi mudar de casa, de ambiente e convivências. Talvez, algumas presenças, tenham colaborado para os rumos desordenados que as coisas tomaram. Porém, não será eu quem fará a diferença desta vez. Vou deixar o tempo ser o grande mestre nesta lição. Vou deixar ele ensinar e agir, como tem de ser.

 

 

E se as pessoas acreditam mesmo que as histórias terminam nas curvas que a vida nos obriga a fazer, é porque nunca aprenderam que só acaba quando tudo volta ao lugar de onde jamais deveria ter saído.

 

Uma amizade

Tem coisas nesta vida que achamos que não seremos capazes de presenciar, de tão absurdas que parecem. Mas mesmo assim, mais cedo ou mais tarde, elas acabam ocorrendo. Assim, como foi comigo há pouco tempo.

 

Conheci uma pessoa, a quem chamei e considerei amiga. E desta forma, depositei meu carinho, confiança, além de momentos alegres e tristes. Do pouco tempo que nos conhecíamos, parecia suficiente para saber que se tratava realmente de uma amizade.

 

Porém, as coisas tomaram rumos errados. Ou talvez, os rumos que realmente deveriam. Aos poucos, vi esta pessoa se afastar. De pouquinho em pouquinho, fui sentindo falta das conversas, dos abraços e desabafos. Até aprender a me contentar com os simples “oi” que me eram dirigidos.

 

Em nenhum momento tentei mudar esta situação. Estava em um ponto sem estratégia, sem defesa, apenas de observadora. E talvez, enquanto algumas pessoas acreditassem que eu era a grande articuladora de alguns acontecimentos, não percebesse que eu estava apenas como coadjuvante.

 

Não fiz o que deveria ter feito. Não defendi minha honestidade, integridade e índole. Simplesmente criaram uma imagem, sem ter a hombridade de dar-me a oportunidade de defesa. Ou de ao menos saber exatamente porque eu havia sido transformada em alguém, quem ao menos eu imaginava ser.

 

Queria ter tido o direito de escutar as acusações, as explicações. Por tudo que ocorreu, acredito que merecia um espaço, um respeito, uma absolvição. E como acredito que não terei jamais um pedido de desculpas, fico onde estou e da mesma maneira: no meu lugar e na minha vida.

 

E desta forma, acredito que um dia as pessoas serão capazes de respeitar umas as outras. De não agir somente por seus achismos ou similares. De passar por cima de coisas, acontecimentos e fatos relevantes, para simplesmente transformar tudo em uma lembrança triste, pela forma que terminou.

 

Lamento sim. Lamento pelos enganos. Pelo sofrimento que me causaram. Pelas coisas e olhares que fui obrigada a ver, sem ao menos saber porque era merecedora daquilo. Ao contrário do que possa parecer, tenho sentimentos. E isso, virá para sempre comigo.

 

Decidi mudar de casa, de ambiente e convivências. Talvez, algumas presenças, tenham colaborado para os rumos desordenados que as coisas tomaram. Porém, não será eu quem fará a diferença desta vez. Vou deixar o tempo ser o grande mestre nesta lição. Vou deixar ele ensinar e agir, como tem de ser.

 

E se as pessoas acreditam mesmo que as histórias terminam nas curvas que a vida nos obriga a fazer, é porque nunca aprendeu que só acaba quando tudo volta ao lugar de onde jamais deveria ter saído.

Minha grande pequena

Ser criança é acreditar no mundo, como nós adultos, já fomos capazes um dia de fazer. Essa é a melhor fase da vida. A melhor maneira dos grandes aprenderem apenas um pouquinho com o amor puro e verdadeiro que os pequenos exalam a todos os instantes. Digo isso porque eu tenho tido esses ensinamentos constantemente com a pequena Mariana.

 

Ela tem dez anos e é minha sobrinha. Minha sobrinha emprestada do meu marido. Mas nem por isso a amo menos. Ao contrário, a cada dia que passa vejo mais qualidades, mais inteligência e futuro nesta menina. Foram poucas às vezes nos meus vinte e tantos anos, que vi uma criança assim.

 

A Mariana é excepcional. Isso porque ela diverge das outras meninas. Ela é única e se sobressai por sua esperteza, seu otimismo e sua vontade de brilhar. Nos muitos e longos papos-cabeça que tivemos, ela me confessou se achar diferente do restante das colegas e se intitulou como uma pessoa feia.

 

Queria poder fazê-la entender que essa beleza que ela tanto procura, não existe. E que a beleza que ela tem hoje é a que todas vão almejar mais para frente. Pois minha menina Mariana é linda, é morena dos olhos puxadinhos. Tem os cabelos lisos e negros naturais. Sua pele como uma seda, exalta ainda mais seu jeito espoleta e moleca de viver a vida.

 

Nela, enxergo meu passado. Onde procurava ser como as outras pessoas e fazer o que elas gostavam, apenas para conseguir amigos. Mas com o passar do tempo gostaria que, assim como eu, minha pequena também percebesse as infinitas oportunidades que ela carrega apenas em ser original, em fazer a diferença em um mundo de pessoas tão iguais.

 

Não que minha pequena seja uma santa. Longe disso. Mas ainda bem, porque os santinhos são chatos e tendem a seguir uma vida metódica e sem grandes expectativas. Ela é engraçada. Faz de tudo para chamar a atenção quando está carente. Cala-se ao ver que está errada ou se meteu em encrenca. Sofre quando se sente injustiçada, mas mesmo assim não dá o braço a torcer.

 

É orgulhosa. É topetuda e não costuma desistir fácil, apenas espera o tempo certo para satisfazer suas vontades. Sabe conversar. Tira boas notas. Apronta coisas erradas. Porém, não costuma mentir, quando é pressionada a dizer a verdade. Cumpre as ordens que lhe são passadas na hora e, muitas vezes, as esquece ao longo do tempo.

 

Preocupada com seu tamanho, que não evolui muito por causa do histórico familiar, ela se entristece por ser menor do que todos em sua turma de colegas. Mal sabe ela que sua estatura não fará a menor diferença perante a inteligência que carrega consigo.

 

E quando chegar a hora dela expor isso e começar a trilhar um caminho de sucesso e vitórias, espero estar sentada na primeira fila para gritar, aplaudir e chorar junto com ela, por suas conquistas e lutas. Estar ao lado de alguém, como minha pequena Mariana é aprender a não apenas a olhar as coisas, mas a enxergar aquilo que elas querem dizer.

Uma louca aventura de bicicleta

Algumas loucuras deveriam ser escritas, para não serem cometidas novamente. Ou apenas para servirem de lição aqueles que jamais tiveram coragem de ousar. E digo isso pelas coisas que tenho presenciado, nas pessoas que fazem parte de minha convivência, do meu aprendizado.

 

No último sábado, fui com meu marido de Brasília (DF) para Unaí (MG). São cerca de 170 km. Percurso do qual pode ser feito em 1h30 de carro, mas foi concluído em cerca de 10 horas. Isso tudo porque a minha mãe resolveu fazer esta viagem de bicicleta.

 

Isso mesmo meus amigos. A Dona Almerita tem cerca de 50 anos (confesso que não sei a idade exata da minha genitora) e simplesmente botou na cabeça que queria embarcar em uma aventura e testar seus limites físicos e os psicológicos do restante da família.

 

Nesta viagem pirada e sem pé nem cabeça, também embarcaram meu pai, com a mesma idade de sua esposa e uma amiga de trabalho da minha mãe, de 35 anos. Caso vocês estejam se perguntando se o grupo estava preparado fisicamente para isso, digo que não. Pelo menos era isso em que eu acreditava.

 

Explico o porquê de minha opinião. A dona Almerita sofre de pressão alta. Sempre foi uma pessoa que estava acima do peso e era sedentária. Há cerca de dois anos emagreceu bastante com dietas e algumas horas de academia, quando decidiu também andar de bicicleta e arrastou meu pai junto.

 

A cada dia eles aumentavam o percurso, junto com a Antônia, a amiga de loucura deles. Porém, pela idade e falta de experiência, não concordei, em nenhum momento com esta insanidade. Além do risco para a saúde, ainda tinha o agravante do perigo que são as rodovias, com seus motoristas irresponsáveis e os acidentes que eles provocam.

 

Mas como nada amoleceu a cabeça dura de minha mãe. E como, na noite anterior à viagem, eu e meu marido descobrimos que não haveria nenhum carro para dar apoio ao grupo de pirados, decidimos segui-los e garantir a nossa segurança mental até o término desta história maluca.

 

Como não estávamos preparados para tal coisa, levamos apenas água e gelo para os viajantes aventureiros. E minha mãe ainda fez questão de encher o carro com duas primas minhas, que moram com ela e com meu irmão caçula de nove anos. Ou seja, se alguém passasse mal, ainda teríamos que inventar um lugar imaginário dentro do veículo para a pessoa.

 

Enfim, depois de muita fome e um calor insuportável, dentro de um automóvel a 15 km/h, os três malucos chegaram em Unaí, às 16h50. Nem acreditei. Mas eles conseguiram. E tem mais. Não chegaram acabados e com falta de ar. Apenas respiraram fundo, tomaram um banho e se alimentaram. E para que eles não perdessem o título de loucos, já programaram a próxima sandice para Caldas Novas (GO), daqui a três meses.

Meu namorado, meu marido, minha vida!

No dia mais inesperado da minha vida, te encontrei, perdido no tempo e achado em meus sentimentos. Acreditei nas bobagens que me dizia, nos galanteios e nas promessas. Mergulhei fundo naquela estrada desconhecida, de caminhos ainda não revelados e destino imprevisto.

 

Não tive tempo de temer pelo futuro. Restou apenas um espaço para aprender a sentir, coisas que jamais tinha conseguido imaginar. Então, sem saída, já entregue, me deixei levar por seu sorriso, seu abraço e sua mania insuperável de me proteger e estar sempre ao meu lado.

 

Desde aquele instante, quando pela primeira vez, conheci sua boca, esqueci do restante do mundo e me revelei outra pessoa. Mais feliz. Mais amada. Mais completa. Mais mulher. Nada seria como antes. Nada seria previsível. E isso me deixava ainda mais apaixonada. Você não era perfeito. E estava bem longe disso. Porém, era idêntico à pessoa que sempre desenhei em meus pensamentos, para um dia se tornar meu príncipe encantado.

 

Fiquei maravilhada com seu olhar de pidão, quando quer carinho, quando quer desabafar. Com sua bondade, que ajuda desconhecidos, e se entristece quando nada pode fazer pelo próximo.  Com seu jeito sonhador, que faz o pensamento alcançar o que está tão distante, e depois traz para perto, com sua vontade de vencer obstáculos e garimpar seu próprio destino.

 

Aos poucos, me envolvi no seu jeito de ser. E quando me dei conta, éramos apenas um. Lutando por igual, pelas mesmas coisas, pelos mesmos sonhos, para superar os obstáculos, vencer os desafios e acima de tudo ainda continuar juntos.

 

Nada foi fácil, assim como nos contos de fada, aonde a solução vem a galope, em um lindo cavalo branco. Sofremos muito antes de rirmos de tudo que passou. Tivemos que buscar forças, onde jamais pensamos que ainda existiria, para construir a vida em que achamos a mais correta e na medida certa para nossa felicidade.

 

Hoje sei de algumas coisas. Entre elas, que ainda tenho muito que aprender. Mas tenho certeza que, estar com você é poder contar com suas mãos, segurando as minhas, quando o medo me afligir, nos momentos mais difíceis. É saber que é meu melhor amigo, sem deixar de ser pai, companheiro, profissional e minha cara metade.

 

Juntos construímos uma família linda. Eu, você e nossa filha, Maria Clara. Ela chegou em um momento inusitado, como um furacão, que passa e revira tudo a sua volta. Mas conseguimos reconstruir nossa coragem, depois da notícia, que alguém chegaria no mundo e dependeria de nós dois por toda vida.

 

E hoje, somos pais de verdade. Nem melhor e nem pior que os outros. Somos pais, porque a amamos mais do que poderíamos contabilizar. Porque ela trouxe um tom a mais para nossa canção, uma vírgula em nossa história, um sentimento que ninguém nunca conseguirá nos tirar.

 

Somos criadores de alguém. Geradores de sua educação, saúde, alegria e destino. Até que ela consiga vasculhar o mundo com suas próprias pernas e determinar qual estrada quer apanhar. E sei que sempre a esperaremos no meio do caminho. Para lhe segurar a mão, caso se canse e precise de uma força para terminar o percurso. Ou caso desista e queira voltar.

 

Meu amor,

Sei que não posso determinar o futuro, por isso mesmo quero dizer agora o quanto tudo que me proporcionou me fez uma pessoa melhor. E sei que faremos que esta história seja escrita sem finais, apenas passando de geração em geração. Com suas felicidades, tristezas, brigas, reconciliações, perdas, vitórias e todas as emoções que somente um grande amor conseguiria construir.

Ela merece ser mãe

Sou da opinião de que o amor de mãe não é uma coisa natural, como costumam dizer. Se fosse assim, não teríamos crianças torturadas, abandonadas e violentadas. Por isso, acredito que o carinho, respeito e dedicação a uma mãe é apenas o resultado de todo o amor recebido ao longo da vida.

 

Quando nos tornamos mãe, percebemos as coisas de uma forma diferente. Mais centrada e menos egoísta. Queremos pouco para nós e tudo para nossos filhos. E mesmo quando passamos por um turbilhão de dúvidas e incertezas na gravidez, logo em seguida, precisamos nos transformar em leoas, ferozes e prontas para defender a cria.

 

Depois que tive a Maria Clara, tive certeza que filho dá muito trabalho e consome toda sua energia e tempo. Mas sem dúvida, cheguei a conclusão, que toda mulher deveria ter pelo menos uma criança, para sentir a mesma sensação de ternura, afeto, proteção e amor, que tive ao ver minha filha.

 

E digo isso porque conheço uma pessoa que merece ser mãe. Esta pessoa é minha cunhada, Michele Senna. Minha opinião foi formada por vê-la todos os dias dedicar parte de seu tempo a fazer as vontades de minha filha, brincar com ela, cantar música, passear no parquinho do prédio e tentar entender as palavras que ela ainda não aprendeu a falar.

 

Desde que a Maria Clara nasceu, ela recebe muito amor de sua tia, mulher do irmão do meu marido. Mas não é uma atenção natural, que qualquer pessoa daria a uma criança bonita. É um afeto especial, de quem realmente se importa. De quem realmente quer estar junto.

 

Seu grande sonho é poder ter um filho. O que está sendo negociado com calma, com o marido dela. E espero de coração que isso possa a vir acontecer. Pois é inegável seu dom materno. Seu carinho e paciência, para com a Maria Clara, com certeza seria refletido em um novo bebê na família.

 

E enquanto isso não ocorre, só posso agradecer. Porque nesses um ano e um mês de vida da minha filha, ela foi uma pessoa que sempre esteve perto, para ajudar no que a Maria Clara precisasse.

 

E olha que nossa relação nem sempre foi a das melhores. Já tivemos nossos arranca rabos e discussões. Mas eu seria uma pessoa ingrata se não ressaltasse a maneira excepcional com que ela trata minha filha. Nos momentos em que precisei sair, e a deixei com ela, sem a menor preocupação, pois sabia que estaria tão bem, como na minha casa.

 

Acredito que Deus a escolheu cuidadosamente para fazer parte da vida da Maria Clara. E espero que Ele também possa oferecer à minha filha, uma linda priminha, que ainda há de chegar. E quando isso ocorrer, talvez eu consiga colocar em prática as coisas que aprendi com a tia Michele e, desta maneira, eu possa retribuir todo o carinho, o oferecendo à mãe Michele.

A melhor amiga de minha filha

Dizem que a amizade é uma das coisas essenciais em nossa vida. Por isso, quando elas começam desde cedo, são ainda mais importantes. Apesar de ter apenas um ano e um mês, a Maria Clara, minha filha, já conseguiu conquistar uma confidente, uma companheira de brincadeira e alguém para dividir os bons momentos.

 

A pequena Maria Eduarda, de um ano e oito meses, mora no mesmo prédio que minha família. E desde cedo, as duas criaram uma afinidade difícil de explicar. Quando se vêem, ficam chorando, até que possam brincar jutas. As diversões ocorrem geralmente no meu apartamento ou no da Bárbara, a mãe da melhor amiga da minha filha.

 

Durante estas brincadeiras, as duas conseguem colocar nossas casas de pernas para o ar. Elas retiram tudo dos armários, jogam no chão e ficam no meio da sala, dando gritos de felicidade e empolgação. São raras às vezes que as vejo tão alegres, como se mais nada no mundo importasse. Se todas as coisas se resumissem naquela amizade.

 

Mas como melhores amigas que são, elas também brigam. Agora, estão na fase de não querer emprestar os brinquedos ou de achar que o objeto que a outra segura é mais interessante. Eu e a Bárbara sempre precisamos ficar atentas, para ensiná-las que é mais divertido se conseguirem brincar juntas.

 

Quando nos distrairmos um pouco e desviamos o olhar, logo elas estão se abraçando e beijando. Nem precisamos pedir. É algo natural. Um carinho que surgiu de um estranho sentimento entre duas crianças, que mal conhecem a vida e já conseguiram desvendar os mistérios das amizades que nos marcam para sempre.

 

E entre as brincadeiras de minha filha com sua melhor amiga, também ganhei uma amiga. Uma pessoa com quem posso conversar, desabafar e encher o saco quando não tiver nada para fazer. Conheci alguém, por quem criei um carinho especial e poderá contar comigo para qualquer momento.

 

Minha felicidade agora não poderia ser mais completa. Pois todas às vezes que tenho que atender aos apelos da minha filha e ir até a casa de sua melhor amiga, também posso, ao mesmo tempo, visitar a minha.

A falta do bom amigo

O mundo está tão moderno que, muitas vezes esquecemos que algumas coisas merecem ser tratadas, assim como eram antigamente. Entre elas, está a amizade. Digo isso, porque prezo está palavra e acredito que todas as pessoas deveriam ter uma para carregar para o resto da vida. Eu tinha. Porém, agora não tenho mais.

 

Há cerca de seis anos, conheci uma pessoa que dividiria bons e maus momentos comigo. Sem saber por que, nos tornamos próximas. Éramos como irmãs. As trocas de ligações ocorriam várias vezes ao dia, sempre almoçávamos juntas e uma sabia tudo da vida da outra.

 

Era a ela que eu recorria quando queria chorar. Procurava ela quando queria dividir um sorriso. Pensava nela nos sonhos de um futuro promissor. Queria que tudo desse certo em sua vida, do mesmo jeito que esperava que acontecesse comigo.

 

Lembro claramente dos programas que fazíamos. Como nossos empregos ainda eram de quem começava uma carreira, optávamos pelos baixos custos. Como passear no Parque da Cidade, jogar buraco, contar as vitórias e derrotas vividas na semana, além de falar mal das pessoas que não gostávamos. Éramos duas pessoas cúmplices, aprendendo a viver e tentando traçar um futuro.

 

Neste tempo, já tínhamos feito acertos como dividir um apartamento e sermos independentes, batizarmos o filho, uma da outra e sermos madrinhas dos recíprocos casamentos. E assim, tudo estava perfeito. Se não fossem as peripécias que o futuro nos prega.

 

Começamos a nos desentender por vários motivos. Surgiram incompatibilidades de destinos e deixamos muitas coisas interferirem em uma amizade que estava escrita para ser para sempre. Ela arrumou um namorado. Eu casei e tive uma filha. Ela não a batizou porque não a convidei. E nem foi madrinha do casamento, por não aceitar meu convite.

 

Daí em diante, nos separamos cada vez mais, até ficarmos mais de um ano sem trocar nem uma palavra. Neste período pensava sempre nela. Como estaria sua vida e se estava feliz. Mesmo assim, não dava o braço a torcer. Tentava fingir que esta amizade jamais tinha existido.

 

Até que em um momento, há pouco mais de um mês, percebi que era besteira. E que nada melhor do que pedir desculpas e abrir espaço para que as outras pessoas também o façam. Com este pensamento, fiz algo que não estou acostumada, voltei atrás e admiti meus erros. Aprendi isso com meu marido. Ele me ensinou que é preciso confessarmos nossas fraquezas, para sermos exaltados pelos acertos.

 

Então lhe mandei um e-mail. Entre as diversas palavras, disse que uma amizade como a nossa não podia ficar perdida. E que eu sentia falta de seu colo amigo, de suas palavras de consolo e nossos longos papos. Sem demora ela me respondeu e, basicamente, disse as mesmas coisas.

 

Imaginei que o problema estava resolvido. Mas quem dera fosse tão simples. Quem dera apenas a boa vontade das pessoas, desse uma solução para as coisas que estão fora de nosso alcance.

 

Quando voltamos a nos falar, eu estava desempregada e fui até seu trabalho para almoçarmos juntas. Conversamos como nos velhos tempos. Mas depois, nos falamos apenas duas vezes pelo telefone, algumas por e-mail e nunca mais nos vimos pessoalmente.

 

Segundo ela, seu tempo está curto entre o trabalho, os estudos e o namorado. Por isso ainda não deu para ela conhecer minha filha e nem mesmo ir ao seu aniversário de um aninho, do qual convidei apenas os familiares e ela. Não vou negar que tudo isso me deixa triste.

 

E meu descontentamento se dá ao fato de sentir falta daquela amiga que eu tive. Ou talvez porque eu acredito que, se ela tivesse uma filha, eu teria arrumado um tempinho para conhecer a pessoa mais importante da vida dela. Amigos são para estes momentos. Talvez por isso, seja tão difícil se tornar colega, de alguém que foi mais do que uma irmã.

Uma mãe e uma filha

No Dia das Mães quero acordar cedo e beijar minha filha no rosto. Quero sentir um abraço seu apertar contra meu peito. Mesmo sem saber falar corretamente, por causa de sua pouca idade (1 ano), vou me emocionar quando ela esticar seus braçinhos e chamar “mama”.

 

Minha felicidade ainda será mais completa, quando ela me puxar e então sentarmos no chão para fazer suas brincadeiras prediletas. Como se o mundo lá fora não mais existisse e eu fosse a única pessoa que pudesse a fazer feliz.

 

E desta maneira tento a encorajar para enfrentar o mundo e viver suas novas descobertas. Ela ainda está na idade de não ter tantas regras e de ser livre para arriscar. Talvez seja por isso que viva tão intensamente.

 

Quem dera se de vez em quando nós conseguimos esquecer um pouco de nossas responsabilidades e do tempo corrido, para aproveitar os minutos que nos escapam sempre que estamos atrasados. Quem me dera eternizar o rosto da minha filha a cada novo detalhe da vida que ela passa a conhecer.

 

E neste Dia das Mães, quem me dera poder dividir com o mundo, tamanha felicidade que consigo sentir, todas as vezes que estou ao lado da minha filha. Meu mundo se transforma. Choro de alegria. Sofro de saudade, já pensando no dia em que ela seguirá seu próprio destino. Tento demasiar meu amor, em exatas medidas, para que não a estrague, não a corrompa e tão pouco deixe faltar.

 

Solteira

Há cerca de dois anos eu não sabia mais como era a sensação de estar solteira. Não precisar dividir a cama. Não dar satisfações e não ter ninguém esperando de braços cruzados ao chegar em casa. Ninguém para reclamar que está com fome. Falar que sua camisa ainda está suja e sua calça não foi passada.

 

Neste último final de semana, fiquei completamente solteira. Meu marido viajou para o Rio de Janeiro com amigos, para assistir a final do Campeonato Carioca, entre Flamengo e Botafogo. Era a oportunidade que eu tinha de respirar um pouco o ar da liberdade. Mas a única coisa que consegui curtir foi uma saudade imensa da pessoa que nos últimos tempos completa minha vida.

 

Senti falta de enroscar meu pé no dele ao deitar. Abraça-lo quando estou com medo ou apenas vontade de estar mais perto. Tive saudade de sua mão sempre me segurando, de suas palavras animadoras e suas broncas que me engrandecem cada vez mais.

 

Senti vontade de lhe fazer uma massagem e poder fazer ele relaxar de um dia estressante de trabalho. Tive saudade de ouvi-lo dizendo que me ama, todas as noites, antes de pegarmos no sono. Senti vontade de pegar um avião e me sentir presa novamente.

 

 

 

 

« Entradas anteriores Próxima Página » Próxima Página »