A falta do bom amigo

O mundo está tão moderno que, muitas vezes esquecemos que algumas coisas merecem ser tratadas, assim como eram antigamente. Entre elas, está a amizade. Digo isso, porque prezo está palavra e acredito que todas as pessoas deveriam ter uma para carregar para o resto da vida. Eu tinha. Porém, agora não tenho mais.

 

Há cerca de seis anos, conheci uma pessoa que dividiria bons e maus momentos comigo. Sem saber por que, nos tornamos próximas. Éramos como irmãs. As trocas de ligações ocorriam várias vezes ao dia, sempre almoçávamos juntas e uma sabia tudo da vida da outra.

 

Era a ela que eu recorria quando queria chorar. Procurava ela quando queria dividir um sorriso. Pensava nela nos sonhos de um futuro promissor. Queria que tudo desse certo em sua vida, do mesmo jeito que esperava que acontecesse comigo.

 

Lembro claramente dos programas que fazíamos. Como nossos empregos ainda eram de quem começava uma carreira, optávamos pelos baixos custos. Como passear no Parque da Cidade, jogar buraco, contar as vitórias e derrotas vividas na semana, além de falar mal das pessoas que não gostávamos. Éramos duas pessoas cúmplices, aprendendo a viver e tentando traçar um futuro.

 

Neste tempo, já tínhamos feito acertos como dividir um apartamento e sermos independentes, batizarmos o filho, uma da outra e sermos madrinhas dos recíprocos casamentos. E assim, tudo estava perfeito. Se não fossem as peripécias que o futuro nos prega.

 

Começamos a nos desentender por vários motivos. Surgiram incompatibilidades de destinos e deixamos muitas coisas interferirem em uma amizade que estava escrita para ser para sempre. Ela arrumou um namorado. Eu casei e tive uma filha. Ela não a batizou porque não a convidei. E nem foi madrinha do casamento, por não aceitar meu convite.

 

Daí em diante, nos separamos cada vez mais, até ficarmos mais de um ano sem trocar nem uma palavra. Neste período pensava sempre nela. Como estaria sua vida e se estava feliz. Mesmo assim, não dava o braço a torcer. Tentava fingir que esta amizade jamais tinha existido.

 

Até que em um momento, há pouco mais de um mês, percebi que era besteira. E que nada melhor do que pedir desculpas e abrir espaço para que as outras pessoas também o façam. Com este pensamento, fiz algo que não estou acostumada, voltei atrás e admiti meus erros. Aprendi isso com meu marido. Ele me ensinou que é preciso confessarmos nossas fraquezas, para sermos exaltados pelos acertos.

 

Então lhe mandei um e-mail. Entre as diversas palavras, disse que uma amizade como a nossa não podia ficar perdida. E que eu sentia falta de seu colo amigo, de suas palavras de consolo e nossos longos papos. Sem demora ela me respondeu e, basicamente, disse as mesmas coisas.

 

Imaginei que o problema estava resolvido. Mas quem dera fosse tão simples. Quem dera apenas a boa vontade das pessoas, desse uma solução para as coisas que estão fora de nosso alcance.

 

Quando voltamos a nos falar, eu estava desempregada e fui até seu trabalho para almoçarmos juntas. Conversamos como nos velhos tempos. Mas depois, nos falamos apenas duas vezes pelo telefone, algumas por e-mail e nunca mais nos vimos pessoalmente.

 

Segundo ela, seu tempo está curto entre o trabalho, os estudos e o namorado. Por isso ainda não deu para ela conhecer minha filha e nem mesmo ir ao seu aniversário de um aninho, do qual convidei apenas os familiares e ela. Não vou negar que tudo isso me deixa triste.

 

E meu descontentamento se dá ao fato de sentir falta daquela amiga que eu tive. Ou talvez porque eu acredito que, se ela tivesse uma filha, eu teria arrumado um tempinho para conhecer a pessoa mais importante da vida dela. Amigos são para estes momentos. Talvez por isso, seja tão difícil se tornar colega, de alguém que foi mais do que uma irmã.

4 Comentários

  1. Jana disse,

    Domingo, 18 Maio 2008 às 10:35

    Bom dia!
    Recebi o link do seu blog e tive tempo hoje para dar uma olhadinha.
    Estou escrevendo minha monografia e nos tempos de descanso entro na internet para aliviar a mente. Então, li o post acima e concordo em alguns pontos, mas em outros sinto que você é parecida comigo. Por que? Porque esperamos demais das pessoas, passei por isso algumas vezes também… Já esperei tempo de pessoas que amo e também fiquei arrasada com o tal désdem delas. É díficil viver né…
    Acredito que relacionamento é algo que deve ser cativado.
    Posso sugerir uma idéia:
    Dê valor aos amigos que estão próximos…os mais especiais sumidos deixa guardado no coração. Se o acaso cruzar você com eles aproveita o momento.
    Hum…
    Adorei o blog.
    Beijo
    Janaína Valadares

  2. Fernanda Scavacini disse,

    Terça-feira, 20 Maio 2008 às 9:04

    É verdada Jana.
    Muitas vezes nos frutamos por nossas expectativas.
    E isso ocorre porque esperamos que as pessoas
    nos trate,
    assimo como as tratamos.
    Obrigado pelo carinho e um grande abraço.

  3. Bruna S. disse,

    Quinta-feira, 22 Maio 2008 às 1:13

    Te entendo absurdamente…

    Aliás, gostei bastante do primeiro comentário.
    É isso mesmo.. guardar no coração. Minha amizades no momento estão todas assim.. mas vou guardar sempre as melhores memórias de meus amigos. Mesmo que as coisas estejam mudadas.. sei que essas pessoas ainda existem… dentro de cada um deles.. em algum lugar.

  4. Fernanda Scavacini disse,

    Segunda-feira, 26 Maio 2008 às 10:23

    Concordo bub´s.
    Devemos eternizar cada um,
    em seu melhor que eles já nos ofereceram um dia.
    Sei que as coisas mudam rapidamente
    ao nosso redor,
    mas somos o resultado de tudo que plantamos um dia.
    Por isso, devemos ser lembrados também por nossas
    diversas conquistas e não
    apenas por alguns erros que tenhamos cometido no presente.
    Beijos….

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