Ser criança é acreditar no mundo, como nós adultos, já fomos capazes um dia de fazer. Essa é a melhor fase da vida. A melhor maneira dos grandes aprenderem apenas um pouquinho com o amor puro e verdadeiro que os pequenos exalam a todos os instantes. Digo isso porque eu tenho tido esses ensinamentos constantemente com a pequena Mariana.
Ela tem dez anos e é minha sobrinha. Minha sobrinha emprestada do meu marido. Mas nem por isso a amo menos. Ao contrário, a cada dia que passa vejo mais qualidades, mais inteligência e futuro nesta menina. Foram poucas às vezes nos meus vinte e tantos anos, que vi uma criança assim.
A Mariana é excepcional. Isso porque ela diverge das outras meninas. Ela é única e se sobressai por sua esperteza, seu otimismo e sua vontade de brilhar. Nos muitos e longos papos-cabeça que tivemos, ela me confessou se achar diferente do restante das colegas e se intitulou como uma pessoa feia.
Queria poder fazê-la entender que essa beleza que ela tanto procura, não existe. E que a beleza que ela tem hoje é a que todas vão almejar mais para frente. Pois minha menina Mariana é linda, é morena dos olhos puxadinhos. Tem os cabelos lisos e negros naturais. Sua pele como uma seda, exalta ainda mais seu jeito espoleta e moleca de viver a vida.
Nela, enxergo meu passado. Onde procurava ser como as outras pessoas e fazer o que elas gostavam, apenas para conseguir amigos. Mas com o passar do tempo gostaria que, assim como eu, minha pequena também percebesse as infinitas oportunidades que ela carrega apenas em ser original, em fazer a diferença em um mundo de pessoas tão iguais.
Não que minha pequena seja uma santa. Longe disso. Mas ainda bem, porque os santinhos são chatos e tendem a seguir uma vida metódica e sem grandes expectativas. Ela é engraçada. Faz de tudo para chamar a atenção quando está carente. Cala-se ao ver que está errada ou se meteu em encrenca. Sofre quando se sente injustiçada, mas mesmo assim não dá o braço a torcer.
É orgulhosa. É topetuda e não costuma desistir fácil, apenas espera o tempo certo para satisfazer suas vontades. Sabe conversar. Tira boas notas. Apronta coisas erradas. Porém, não costuma mentir, quando é pressionada a dizer a verdade. Cumpre as ordens que lhe são passadas na hora e, muitas vezes, as esquece ao longo do tempo.
Preocupada com seu tamanho, que não evolui muito por causa do histórico familiar, ela se entristece por ser menor do que todos em sua turma de colegas. Mal sabe ela que sua estatura não fará a menor diferença perante a inteligência que carrega consigo.
E quando chegar a hora dela expor isso e começar a trilhar um caminho de sucesso e vitórias, espero estar sentada na primeira fila para gritar, aplaudir e chorar junto com ela, por suas conquistas e lutas. Estar ao lado de alguém, como minha pequena Mariana é aprender a não apenas a olhar as coisas, mas a enxergar aquilo que elas querem dizer.